O Museu do Fado não se limita a guardar partituras antigas. Este ano, através do projeto "100 Paredes", junta o Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Lisboa e a Lisboa Cultura numa parceria que já soma cerca de 80 iniciativas nacionais e internacionais.
Carlos Paredes é o pretexto e o centro. O guitarrista, morto em 2004, deixou uma obra que ultrapassou há muito o universo do fado tradicional — e é justamente essa dupla identidade, entre popular e erudito, que o programa comemorativo do centenário tenta capturar.
Concertos, exposições, palestras, documentários. O leque é largo de propósito.
- Uma rede, não um evento isolado. As quase 80 iniciativas espalham-se por Portugal e também pelo estrangeiro, com o apoio da Universidade de Coimbra a garantir uma vertente académica ao lado da artística.
- Transmissão geracional como eixo central. O fado foi reconhecido pela UNESCO em 2011 como Património Cultural Imaterial da Humanidade, precisamente pela forma como o conhecimento passa de geração em geração dentro das casas de fado e das famílias de fadistas — é esse mecanismo que o museu tenta reforçar institucionalmente.
- Do documentário ao arquivo digital. Iniciativas como a série "Puro Fado", produzida pela Associação de Casas de Fado de Lisboa, juntam fadistas, músicos e poetas a partilhar histórias — material que passa a integrar o arquivo sonoro digital do museu.
Há também uma dimensão territorial que foge de Lisboa. Festivais como o de Estremoz, no Alentejo, levam o fado às freguesias, com espetáculos organizados aldeia a aldeia — sinal de que a salvaguarda do património não se resolve só em museus e auditórios da capital.
Resta a pergunta de sempre com este tipo de programa: quantas destas quase 80 iniciativas deixam raiz depois do centenário terminar, e quantas ficam apenas no calendário de 2026.